segunda-feira, 3 de maio de 2010

As sem-razões do amor

 Para começar bem a semana, um belo poema de Drummond.

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,



Não precisas ser amante,



e nem sempre sabes sê-lo.



Eu te amo porque te amo.



Amor é estado de graça



e com amor não se paga.







Amor é dado de graça,



é semeado no vento,



na cachoeira, no eclipse.



Amor foge a dicionários



e a regulamentos vários.







Eu te amo porque não amo



bastante ou demais a mim.



Porque amor não se troca,



não se conjuga nem se ama.



Porque amor é amor a nada,



feliz e forte em si mesmo.







Amor é primo da morte,



e da morte vencedor,



por mais que o matem (e matam)



a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

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